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MARCOS: O Evangelho do Servo do Senhor

O Evangelho de Marcos começa dizendo que o assunto do livro é a boa notícia a respeito de Jesus Cristo, isto é, o Evangelho, anúncio de o tempo de Deus trazer salvação para a humanidade chegou.
Estrutura do livro

1. Prólogo temático: O evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus (1.1-15)
a) início do evangelho (1.1)
b) a pregação de João Batista (1.2-8)
c) a tentação de Jesus no deserto (1.12,13)
d) o início da proclamação de Jesus (1.14,15)
2. Jesus invade o deserto e a cidade com as boas-novas (1.16-8.26)
a) o ministério inaugural de Jesus na Galiléia (1.16-3.6)
b) o ministério itinerante (3.7-6.29)
c) Jesus e retira para o deserto além da Galiléia (6.30-7.23)
d) a missão dos gentios (7.24-8.10)
e) questões relativas a sinais e visões (8.11-26)
3. Jesus invade a cidade hostil de Jerusalém (8.27-15.47)
a) a viagem a Jerusalém, (.8.27-15.47)
b) Jesus enfrenta Jerusalém (11.1-13.37)
c) Jerusalém se opõe a Jesus (14.1-15.47)
4. O epílogo inacabado (16.1-8)1
O Tema

O primeiro propósito de Marcos é apresentar por escrito o testemunho dos apóstolos a respeito dos fatos da vida, morte e ressurreição de Jesus. Marcos não pretende escrever uma biografia completa ou mesmo um relato completo do ministério público de Jesus. O registro histórico é simplificado adaptando-se à estrutura básica da proclamação do Evangelho: o início do ministério de Jesus com João Batista, o ministério público de Jesus na Galiléia e nas regiões circunvizinhanças; e sua jornada final a Jerusalém para o sacrifício na cruz. Segundo o Evangelho de João, Jesus fez pelo menos cinco visitas a Jerusalém. Mateus e Lucas registram mais dos ensinamentos de Jesus do que Marcos, mas o objetivo de Marcos é diferente. Usando detalhes históricos, apresenta uma narrativa ampla do que os apóstolos pregavam a respeito da cruz de Cristo (At 1.21-22; 2.22-24; 1 Co 2.2)2
Conteúdo do livro

Marcos não fala dos primeiros trinta anos da vida de Jesus, mas esses anos todos foram necessários à sua preparação humana para a obra que teria de realizar. Esse evangelho começa com João Batista preparando o povo para a vinda do Messias (1.2). João e Jesus encontraram-se. Ele logo reconheceu que esse Homem não precisava submeter-se ao batismo de arrependimento que pregava (Mt 3.14). Após ser batizado “o Espírito o impeliu para o deserto” (Mc 1.12). A seguir do capítulo 1.14 ao 8.30 temos um registro ininterrupto de ações de Jesus, tanto em palavras quanto através de milagres:
* demônios expulsos, 1.21-28
* a febre repreendida, 1.29-31
* várias doenças curadas, 1.32-34
* leprosos purificados, 1.40-45
* um paralítico anda, 2.1-12
* a cura da mão ressequida
* multidões curadas, 3.6-12
* a tempestade apaziguada, 4.35-41
* um endemoninhado liberto, 5.1-15
* fluxo de sangue estancado, 5.21-34
* a filha de Jairo ressuscitada, 5.35-43
* cinco mil alimentados, 6.32-44
* Jesus anda por sobre as águas, 6.45-51
* todos os que o tocam são curados, 6.53-56
* surdos e mudos ouvem e falam, 7.31-37
* quatro mil são alimentados, 8.1-9
* o cego curado, 8.22-26

A sequência de atos e palavras de Jesus, na descrição de Marcos, é seguida pela declaração petrina a respeito de quem era o Cristo (8.29). Após a declaração de Pedro, Marcos revela o modo pelo qual o Servo deveria ser recebido: “era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas” (8.31). E segue-se um relato dos acontecimentos seguintes:
* Jesus seria rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, 8.31
* Seria entregue por traição,9.31
* Seria morto pelos romanos, 10.32-45
* Iria ressuscitar no terceiro dia, 9.31

Depois do ministério público de Cristo, descrito em Mc 10.46-11.26, lemos a respeito de seu último conflito com autoridades judaicas e de seu triunfo sobre os líderes religiosos, 11.27-12.44. Jesus procurou persuadir os judeus como Messias. Depois que Jesus respondeu a todos eles, lemos: “E já ninguém mais ousava a interrogá-lo”, 12.34.

Antes de Jesus ir para a cruz, revela o futuro aos conturbados discípulos em seu discurso no monte das Oliveiras (cap. 13).

A trama os principais sacerdotes para apanhá-lo astuciosamente e o matarem e a unção do seu corpo para a sepultura abrem o cap. 14. Em seguida, vem a história sempre triste da traição por parte de um dos discípulos (14.10,11); a celebração da Páscoa e a instituição da ceia do Senhor estão comprimidas em 25 breves versículos. Acrescentado o insulto à injúria, lemos a negação de Pedro (14.26-31, 66-71).

Depois que o Servo deu a vida em resgate por muitos, ressuscitou dos mortos. Vem em seguida a Grande Comissão (16.15), também registrada em Mateus 28.19, 20. Finalmente, foi recebido no céu para sentar-se à destra de Deus, 16.19.
Formas literárias

Antes de Marcos, os primeiros cristãos transmitiam oralmente a história de Jesus, contando histórias isoladas, pequenas coleções de declarações de Jesus e narrativas mais longas, como a da paixão. Marcos foi provavelmente o primeiro cristão a escrever um evangelho, não uma mera biografia, mas um estudo extenso do significado da vida e da ressurreição de Jesus para os crentes. A maioria dos estudiosos pensa que Mateus e Lucas, que escreveram entre dez e vinte anos mais, basearam seus evangelhos no de Marcos.

Uma particularidade de Marcos é o seu estilo rápido de aventura (“imediatamente” é usado seis vezes, e “logo”, trinta e uma vezes). Também destaca-se seu uso de linguagem sem floreios (“viu os céus 'rasgarem-se'”, 1.10; “ o Espírito o impeliu para o deserto, 1.12”). A ênfase que ele dá a humanidade de Jesus, também é bastante singular, 1.41; 3.5; 4.38; 6.6; 11.12; 14.33) e sua ênfase na dificuldade em ser discípulo.
Propósito e teologia

Somente Jesus Cristo é o Filho de Deus. No livro de Marcos, a divindade de Jesus é demonstrada por meio de seu poder, que o fez vencer as enfermidades, o Diabo e morte. Embora tivesse o poder para reinar na terra, Ele preferiu obedecer ao Pai e morrer por nós.

Jesus cumpriu as profecias do Antigo Testamento ao vir à terra como Messias. Ele não veio como um rei conquistador, mas como um servo. Ajudeou as pessoas, curando-as e falando-lhes a respeito de Deus. Além disso, ao dar sua vida em sacrifício para apagar nossos pecados, realizou o maior serviço em prol da humanidade. Seus milagres foram mais enfatizados do que os seus sermões, a fim de demonstrar que Ele é um homem de poder e ação, não apenas de palavras. Jesus fez milagres para convencer as pessoas sobre quem realmente era e para confirmar aos seus discípulos suas verdadeira identidade: Deus.

Primeiro Jesus pregou sua mensagem aos judeus. Mas, quando os líderes judaicos se lhe opuseram, jesus também se dirigiu ao mundo gentílico, pregando as Boas Novas do Reino e curando. Soldados romanos, sírios e outros gentios ouviram o evangelho. Muitos creram e seguiram-no. A mensagem final de Jesus aos seus discípulos os desafiou a dirigirem-se ao mundo inteiro, a fim de pregar o evangelho da salvação.
- Mensagem para hoje

Quando o Senhor Jesus ressuscitou dos mortos, provou que é Deus, pode perdoar os pecados e tem o poder para mudar nossa vida. Confiando em seu perdão, podemos iniciar uma nova vida ao seu lado, e o fizermos nosso guia. Por causa do exemplo de Jesus, também devemos estar dispostos a servir a Deus e a nossos semelhantes. A verdadeira grandeza do Reino de Cristo pode ser vista no serviço e no sacrifício que Ele realizou. A ambição e o amor ao poder ou à posição não devem ser as nossas motivações; devemos fazer a obra de Deus por amor a Ele.

Quando mais nos convencermos de que Jesus é Deus, mais o seu poder e amor se tornarão evidentes para nós. As poderosas obrade Jesus nos mostram que Ele é capaz de salvar quaisquer pessoas, a despeito do passado delas. Seus milagres e seu perdão trazem a cura e o completo bem-estar, transformando a vida daqueles que nEle confiam.
Onde ler mais!

HENDRIKSEN, William. Exposição do Evangelho de Marcos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, 880 p. (Comentário do Novo Testamento).

JENSEN, Irving L. Marcos: estudo bíblico. São Paulo: Mundo Cristão, 1984. 118 p. (Série Mundo Cristão).

MULHOLLAND, Dewey M. Marcos: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2005, 240 p. (Série Cultura Bíblica, v. 2).

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