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TEOLOGIA DA IGREJA: uma igreja segundo os propósitos de Deus

MULLOLLAND, Dewey M. Teologia da Igreja: uma igreja segundo os propósitos de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2004. 252 p.(RESENHA)


O autor propõe em seu livro não uma discussão ou debate, mas uma pesquisa à respeito de sua compreensão da igreja segundo os propósitos de Deus, tomando por base as Escrituras. O texto na verdade, não nasceu como livro, mas é fruto de seus apontamentos individuais para suas aulas de Eclesiologia na Faculdade de Brasília, onde lecionava. Por ter esse caráter mais didático, é fácil perceber que o autor dividiu catorze capítulos de seu livro em quatro partes principais: natureza, ministério, missão e forma da igreja.
O autor introduz o livro levantando questionamentos sobre como vão as igrejas. Observa que a igreja foi criada e arquitetada por Deus, Cristo deu a sua vida por ela e o Espírito Santo foi enviado para lhe dar poder para cumprir sua missão terrena, chamando os pecadores para a comunhão, na esperança da eternidade. Assevera que a igreja do ponto de vista humano está passando por crise e que esta crise é de identidade, e daí conclui que a identidade da igreja deve ser determinada segundo a Bíblia, pois a eclesiologia constitui-se como doutrina central das Escrituras.
Após essa breve introdução, segue-se o capítulo1 onde apresenta alguns termos e metáforas que definem a natureza da igreja. Destaca os termos tais como ekklesia, igreja – o povo de Deus, koinonia por serem os termos principais para se captar os ensinamentos bíblicos centrais juntamente com as implicações práticas para a vida do dia-a-dia das igrejas. No capítulo 2, apresenta algumas metáforas tais como: corpo de Cristo, família de Deus, noiva de Cristo, templo, santuário ou edifício de Deus, cujo teor expressa algumas características da natureza intrínseca da igreja, bem como dos propósitos de Deus para ela.
Após enumerar termos e metáforas que designam a natureza da igreja, o autor dedica ao capítulo seguinte, um breve resgate do percurso da igreja ao longo de sua história, porque entende que assim é possível encontrar uma melhor maneira de agir para estabelecer igrejas como Deus quer, através do aprendizado das lições que a história fornece. Assim, afirma o autor, evita-se repetir erros e perder bênçãos.
Na segunda parte do livro, Mulholland, dedica o capítulo 4 para tratar dos ministros da igreja. À partir do modelo trinitário, analisa o ministro do ponto de vista divino como fator fundamental para manter a unidade da igreja. Defende a idéia de que todos os membros do corpo de Cristo são ministros de Deus, e entende que Deus designou apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres e outros ministros como ‘obreiros de apoio’ buscando o aperfeiçoamento da igreja. Avalia também o ministro em seu aspecto humano, enumerando algumas qualidades que, segundo ele, são essenciais para a saúde da igreja e primordiais que todos como ministros que são, tenham: humildade, mansidão, longanimidade e tolerância.
No capítulo 5, trata do ministério pastoral. Após inferir que as pessoas de um modo geral têm uma concepção errada de um pastor ideal, passa a apresentar a metáfora ou figura do pastor de ovelhas apresentada na Bíblia. Daí, pretende fundamentar sua concepção de ministério universal da igreja apresentada no capítulo anterior, ou seja, todos membros são ministros da igreja, e o pastor o auxiliar desses ministros.
No capitulo 6, apresenta os processos de relacionamentos chamados discipular e mentorear, bem como examina seu papel na vida de pastores que procuram equipar os santos para seus ministérios. Inclui também uma introdução ao relacionamento entre pastores que procuram ajudar uns aos outros. O autor encerra a segunda parte, com o capítulo 7, apresentando o aspecto do servir daquele que se diz seguidor de Cristo. À partir do exemplo e ensino de Cristo, traça um perfil dos líderes como servos, dos liderados como servos e da igreja como uma comunidade serva. Mostra como ao longo da história da igreja houve alguns desvios por parte de alguns líderes que se afastaram do modelo apresentado por Cristo, o clericalismo. Entende que a distinção entre clero e laicato contribui para o desaparecimento da preciosa doutrina neotestamentária do sacerdócio de todos os crentes.
Na terceira parte do livro, capítulos 8, 9 e 10, Mulholland, trata da missão global da igreja que é a de servir a Deus diretamente em adoração, servir aos santos em nutrição e servir ao mundo em testemunho. A missão global da igreja expressa-se no fato de que a igreja fundada sobre Jesus Cristo, o Supremo pastor, existe para a glória de Deus. O ministério de Jesus continua através da liderança colegiada, exemplos para o rebanho que estabelece as estruturas para o desempenho dos diversos ministérios dos servos de Deus. A missão interna se constitui em ministérios de adoração, interdependência e edificação, enquanto que a missão externa à evangelização e compaixão tendo em vista glorificar a Deus.
Por fim, na quarta parte do livro, o autor faz algumas considerações sobre a igreja como organização. Elabora um pequeno roteiro do desenvolvimento da igreja como organização desde o seu surgimento, bem como de suas formas históricas de governo: a episcopal, presbiteriana e congregacional. Apresenta então alguns critérios para a avaliação das estruturas eclesiásticas, e os aspectos da igreja como instituição e o perigo do institucionalismo eclesiástico. Para encerrar faz algumas considerações sobre os grupos paraeclesiásticos, desde uma conceituação até a avaliação destes.

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