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HOJE FUI AO SHOPPING DA FÉ



Como documentalista nas horas (vagas?) trabalho em vários lugares diferentes. Hoje estive em Esmeraldas. Uma das cidadezinhas da grande BH. Com mais ou menos uns 60.000 habitantes, à distância de pouco mais de 50km da Praça Sete. Na minha visita a esta cidadezinha, me sentí em Atenas (guardadas as devidas proporções) dos dias de Paulo. Quando cheguei na praça da matriz, me deparei com algo no mínimo inusitado. Na principal das esquinas o quadro que ví foi o seguinte: de um lado a Matriz da Paróquia de Santa Maria Gertrudes, do outro lado o Fórum, na outra esquina a Prefeitura, em frente uma enorme loja (para o tamanho da cidade) chamada o SHOPPING DA FÉ, que me chamou bastante atenção. Eu achava que já tinha visto de tudo, corrente poderosa de fé, show da fé, espetáculo de Deus, o encontro, shopping evangélico etc. Agora pude entrar Shopping da fé.
Coincidência ou não, pra dizer verdade, no trajeto até aquela cidade, estive pensando no apelo mercadológico a que a fé está submetida. Ouví a semana passada de um destes pastores televisos o que parecia ser um “mantra” evangélico para este momento de crise. Ele colocou todo o seu auditório para repetir a seguinte máxima de fé: o mundo está em crise, mas eu não! Repita isto para você mesmo, disse ele. Diga ao seu irmão da esquerda, agora ao da direita, cutuque o que está à sua frente etc. Me preocupa o neo-medievalismo que estamos vivenciando. A teologia de muitos crentes (e não crentes) hoje está beseada no seguinte tripé: “Deus abençoa quem se sacrifica, honra quem persevera e abomina quem retrocede”. Nesta perspectiva “sacrifício” é entendido como oferta financeira na corrente de fé, que pode durar três, cinco, sete, doze, vinte ou quarenta dias. Se o indivíduo não alcançar a "graça ou a vitória" no período da campanha ou da corrente, não deve desanimar. Só não pode faltar nenhum dia, se não “quebra” a corrente e tem de começar tudo de novo, tem que perseverar. Ora, na idade média, se vendia lascas da cruz, ossos de João Batista, lágrimas de Cristo, etc. E hoje? Mudaram-se os tempos, mas os costumes não. Só passaram a ter outros nomes, mantenedor fiel, sócio evangelizador, investidor no reino dos céus. Enquanto Tetzel anunciava em alto tom que “o som da moeda que ressoa no fundo do baú liberta as almas do purgatório”, os Tetzels de hoje anunciam “quando você pagar o boleto bancário ou fizer o débito automático para ajudar meu ministério, liberará bênçãos sem medidas (dez por um, cem por dez, mil por cem) dos celeiros celestiais”. Cena esta que não deixaria Lutero menos aterrorizado do que quando de sua visita a Roma.
Agora lá estava eu no SHOPPING DA FÉ e diante de mim: velas, vasos para vaporizões de raízes, imagens de São Jorge empunhado de sua espada e montado em seu imponente cavalo, imagens dos mais diversos santos, Bíblias, rosários, crucifixos, livros de rezas, fitinhas do Senhor do Bonfim, e pasmem, livros evangélicos de auto-ajuda do tipo: 7 passos para o sucesso, 5 princípios para prosperidade e etc., envelopes para campanhas e dízimos, fitinhas de campanhas do tipo: “Deus não se esqueça de mim, porque sou dizimista!” e etc.
Fiquei estarrecido com o apelo mercadológico que fizeram da fé. E pensei comigo mesmo, nos dias Jesus ele perguntou: Quando, porém, vier o Filho do Homem, porventura, achará fé na terra?, Lc 18.8. E hoje? Qual seria a sua pergunta? Talvez, “haverá na terra tanto dinheiro para gastar com a fé?”

Comentários

  1. caro professor neemias,sou seu aluno no curso koinonia da igreja getsemani.Há muito tempo tenho visto que infelismente o evangelho se tornou mercado ou melhor negocio para alguns e ou prosperidade divina para outros.Infelismente as pessoas tem buscado ao senhor jesus não pelo o que ele é,mas sim pelo que ele proverá.

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  2. E so o imail que se chama flavia,o meu nome e cassio vinicius.

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