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ONTEM TENTARAM ME ROUBAR, E PERCEBI QUE DEUS ESTÁ MORTO!


Eram um pouco mais de 2:00hs da tarde de ontem (26/03/2009) e eu estava na Rua da Bahia esquina com Augusto de Lima, região central da nossa Belo Horizonte, em um ponto de ônibus cheio de gente, bem em frente a um Shopping popular e a menos de cinquenta metros de um posto policial. Como é de costume eu estava lendo, até porque à noite eu estaria na Igreja Batista da Graça dando aula de teologia própria, ou seja sobre “a pessoa de Deus”. De repente senti que alguém estava mexendo em meu pescoço, e logo percebi se tratar da correntinha folheada de ouro que eu estava usando. A princípio pensei se tratar daqueles pessoas conhecidas que chegam por trás da gente brincando de ladrões e querendo nos dar um susto. Foi quando dei conta de que se tratava de um ladrão tentando roubar o meu presente de aniversário que minha querida esposa havia me dado o ano passado. O ladrão tentou mas não conseguiu, desistiu e saiu correndo, mas junto dele estava outro “companheiro” que imediatamente me atacou com violência, também sem lograr êxito, talvez porque todos dois fossem mais baixos do que eu, mas deixando um ferimento sangrando e doloroso causado pelas unhas ou por algum material cortante. Tudo ocorreu em fração de segundos. E lá estavam os dois correndo rua abaixo, com alguns transeuntes gritando “pega ladrão, pega ladrão”. Enquanto isso alguns curiosos me cercaram e duas senhoras se dirigiram a mim. Uma disse: “Moço, não se preocupe, Deus vai te restituir em dobro o que o inimigo te roubou” e a outra disse: “Mais tem Deus para te dar do que o diabo para tomar”. Elas ainda não haviam percebido que a “cobiçada” correntinha estava caída aos meus pés. Agradeci as “gentilezas” e fui procurar um local para fazer um curativo.
Confesso que este episódio me causou um turbilhão de pensamentos. Primeiro, como pude ser tão insensato em andar com uma correntinha no pescoço numa área de risco. Segundo, ainda sentido as dores do ferimento, pensei nos motivos que levavam pessoas como aqueles ladrões a agirem de forma tão errada e violenta ao querer tomar a força os pertences dos outros. Não os amaldiçoei, nem tampouco desejei o mal para eles, mas orei comigo mesmo pedindo que de algum modo eles encontrem o caminho da verdade e abandonem aquele caminho cujo fim é a perdição.
Mas o que me deixou mais perturbado foram as palavras daquelas duas senhoras que me abordaram logo após o acontecimento. Ao que parece a primeira senhora é evangélica ou possuidora de uma “cultura neo-evangélica” e a outra de uma cultura popular de igual teor. E porque me perturbei mais com aquelas palavras daquelas senhoras do que a frustrada tentativa de roubo? Porque desde de há muito tempo tenho feito uma verdadeira cruzada contra esta idéia de que existe um Deus que só está por conta de encher de bens materiais as suas criaturas. Alguém poderia dizer que eu penso assim, porque os ladrões não conseguiram me roubar. E que caso eu tivesse sofrido prejuízo pensaria diferente. Confesso que se isto tivesse acontecido, poderia me abater não pelo valor material, mas sim pelo afetivo, afinal de contas era um presente. Quanto ao prejuízo material algumas horas de trabalho seriam suficientes para reavê-los. No entanto, o teor daquelas palavras é que me preocuparam. À que Deus àquelas senhoras serviam? Era este o meu Deus? E assim pude meditar sobre o que Deus significava pra mim.
Do episódio, me restaram algumas conclusões. Se pedissem para que eu descrevessem como eram aqueles ladrões eu não saberia. Foi tudo muio rápido. Mas vi que eram dois rapazes bem vestidos, e não aparentavam ser ladrões. Quanto àquelas senhoras, não fiquei sabendo como chamavam. Mas deixaram em mim uma certa preocupação ao invés de me confortarem. Em contrapartida, aqueles ladrões não levaram a minha correntinha, mas levaram para longe de mim o Deus-defunto que eu também, às vezes, insistia em carregar comigo. Esse Deus, que segundo a subcultura neoevangélica era um Deus que vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, para evitar meus sofrimentos e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto. De alguns púlpitos me garantiram que Deus prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos. Esse Deus, estaria comprometido em favorecer-me em todas minhas demandas contra os pagãos. Ele compensaria minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé. DE REPENTE ME DEI CONTA DE QUE ESSE DEUS ESTAVA MORTO! Aquele Deus parecido com a figura idealizada de um superpai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenhar da religião.
Esse Deus morreu em mim porque se demonstrou falso. Morreu o Deus que fazia de mim uma criança mimada que chorava a cada desencontro da vida. Esse Deus morreu pra mim, mas ressurgiu um Deus que opta por deixar a vida correr seu curso normal, mas que me garante que nada poderá nos separar do seu amor, que está em Cristo Jesus, meu Salvador!

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