sábado, 28 de março de 2009

ONTEM TENTARAM ME ROUBAR, E PERCEBI QUE DEUS ESTÁ MORTO!


Eram um pouco mais de 2:00hs da tarde de ontem (26/03/2009) e eu estava na Rua da Bahia esquina com Augusto de Lima, região central da nossa Belo Horizonte, em um ponto de ônibus cheio de gente, bem em frente a um Shopping popular e a menos de cinquenta metros de um posto policial. Como é de costume eu estava lendo, até porque à noite eu estaria na Igreja Batista da Graça dando aula de teologia própria, ou seja sobre “a pessoa de Deus”. De repente senti que alguém estava mexendo em meu pescoço, e logo percebi se tratar da correntinha folheada de ouro que eu estava usando. A princípio pensei se tratar daqueles pessoas conhecidas que chegam por trás da gente brincando de ladrões e querendo nos dar um susto. Foi quando dei conta de que se tratava de um ladrão tentando roubar o meu presente de aniversário que minha querida esposa havia me dado o ano passado. O ladrão tentou mas não conseguiu, desistiu e saiu correndo, mas junto dele estava outro “companheiro” que imediatamente me atacou com violência, também sem lograr êxito, talvez porque todos dois fossem mais baixos do que eu, mas deixando um ferimento sangrando e doloroso causado pelas unhas ou por algum material cortante. Tudo ocorreu em fração de segundos. E lá estavam os dois correndo rua abaixo, com alguns transeuntes gritando “pega ladrão, pega ladrão”. Enquanto isso alguns curiosos me cercaram e duas senhoras se dirigiram a mim. Uma disse: “Moço, não se preocupe, Deus vai te restituir em dobro o que o inimigo te roubou” e a outra disse: “Mais tem Deus para te dar do que o diabo para tomar”. Elas ainda não haviam percebido que a “cobiçada” correntinha estava caída aos meus pés. Agradeci as “gentilezas” e fui procurar um local para fazer um curativo.
Confesso que este episódio me causou um turbilhão de pensamentos. Primeiro, como pude ser tão insensato em andar com uma correntinha no pescoço numa área de risco. Segundo, ainda sentido as dores do ferimento, pensei nos motivos que levavam pessoas como aqueles ladrões a agirem de forma tão errada e violenta ao querer tomar a força os pertences dos outros. Não os amaldiçoei, nem tampouco desejei o mal para eles, mas orei comigo mesmo pedindo que de algum modo eles encontrem o caminho da verdade e abandonem aquele caminho cujo fim é a perdição.
Mas o que me deixou mais perturbado foram as palavras daquelas duas senhoras que me abordaram logo após o acontecimento. Ao que parece a primeira senhora é evangélica ou possuidora de uma “cultura neo-evangélica” e a outra de uma cultura popular de igual teor. E porque me perturbei mais com aquelas palavras daquelas senhoras do que a frustrada tentativa de roubo? Porque desde de há muito tempo tenho feito uma verdadeira cruzada contra esta idéia de que existe um Deus que só está por conta de encher de bens materiais as suas criaturas. Alguém poderia dizer que eu penso assim, porque os ladrões não conseguiram me roubar. E que caso eu tivesse sofrido prejuízo pensaria diferente. Confesso que se isto tivesse acontecido, poderia me abater não pelo valor material, mas sim pelo afetivo, afinal de contas era um presente. Quanto ao prejuízo material algumas horas de trabalho seriam suficientes para reavê-los. No entanto, o teor daquelas palavras é que me preocuparam. À que Deus àquelas senhoras serviam? Era este o meu Deus? E assim pude meditar sobre o que Deus significava pra mim.
Do episódio, me restaram algumas conclusões. Se pedissem para que eu descrevessem como eram aqueles ladrões eu não saberia. Foi tudo muio rápido. Mas vi que eram dois rapazes bem vestidos, e não aparentavam ser ladrões. Quanto àquelas senhoras, não fiquei sabendo como chamavam. Mas deixaram em mim uma certa preocupação ao invés de me confortarem. Em contrapartida, aqueles ladrões não levaram a minha correntinha, mas levaram para longe de mim o Deus-defunto que eu também, às vezes, insistia em carregar comigo. Esse Deus, que segundo a subcultura neoevangélica era um Deus que vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, para evitar meus sofrimentos e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto. De alguns púlpitos me garantiram que Deus prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos. Esse Deus, estaria comprometido em favorecer-me em todas minhas demandas contra os pagãos. Ele compensaria minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé. DE REPENTE ME DEI CONTA DE QUE ESSE DEUS ESTAVA MORTO! Aquele Deus parecido com a figura idealizada de um superpai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenhar da religião.
Esse Deus morreu em mim porque se demonstrou falso. Morreu o Deus que fazia de mim uma criança mimada que chorava a cada desencontro da vida. Esse Deus morreu pra mim, mas ressurgiu um Deus que opta por deixar a vida correr seu curso normal, mas que me garante que nada poderá nos separar do seu amor, que está em Cristo Jesus, meu Salvador!

quinta-feira, 5 de março de 2009

A "TEOLOGIA" DO VICE-PRESIDENTE

O vice-presidente José de Alencar em entrevista ao programa FANTÁSTICO da rede Globo de Televisão, e que foi veiculado em 01/03/2009, fez algumas declarações que me deixou bastante impressionado.
Como é de conhecimento de todos, o vice-presidente esteve hospitalizado por mais de trinta dias para retirada de vários tumores, sendo esta apenas uma entre as muitas outras cirurgias a que se submeteu nos últimos meses. Mas o que mais me chamou a minha atenção foi o teor de suas declarações quando perguntado pelo repórter quanto ao fato de ser um homem de fé (católico praticante) e o fato de estar sofrendo de tal enfermidade. Sem titubear e com um sorriso visivelmente espontâneo declarou em linhas gerais que:
1) DEUS NÃO DEVE NADA A NINGUÉM!
2) DE DEUS NUNCA VEM O MAL!
Quando ouvi esta declaração, confesso que fiquei ruborizado, porque como evangélico tenho ouvido constantemente em nossos arraiais alguns crentes e até mesmo pastores televisivos fazerem suas confissões positivistas. O que tenho visto é o apregoar de um “evangelho tabajara” cujo lema é SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!! Para tal evangelho o crente não passa por adversidades, pelo contrário está totalmente isento delas. Na prática parece ser um pouco diferente disto. Entendo que não foi este evangelho que o Senhor Jesus pregou. “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo!” João 16.33. Ele não diz que segui-lo garante a ausência de problemas e dificuldade. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me”, Mt 16.24.
Algum tempo atrás ouvi de um pregador, após a leitura de algumas promessas bíblicas a INFELIZ DECLARAÇÃO: Deus não tinha obrigação nenhuma de prometer, mas à partir do momento em que Ele prometeu, Ele tem a obrigação de cumprir. Confesso que quase quebrei o aparelho de TV. Mas como é o único que tenho, consegui ponderar que não era culpa do aparelho, mas do tolo que por lá falava. Ora, a afirmativa de que “Deus tem que cumprir alguma obrigação” é no mínimo absurda, e em último extremo uma blasfêmia. E de Deus não se zomba.
Deus não tem nenhuma obrigação em cumprir qualquer promessa sua. A Bíblia deixa claro que Deus tem prazer cumprir o diz. Ele não é como nós que prometemos mesmo sabendo que não vamos cumprir. Não é de sua natureza prometer e não cumprir, Hb 6.18 diz: “... é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta”. Então, se Deus tem promessas pra nós, a única coisa que nos resta é esperarmos nele. Tal como o salmista devemos “esperar com paciência no Senhor” Sl 40.1. Um judeu fiel orava apenas uma vez sobre determinado assunto, porque ele tinha plena consciência que se fosse vontade do Eterno, bastava esperar. Em caso extremos vemos alguns orando mais de uma vez. O apóstolo Paulo, um judeu e tanto, escreve aos Coríntios na sua segunda carta, 8.1-12: “É necessário gloriar-me, embora não convenha; mas passarei a visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu. Sim, conheço o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei: Deus o sabe), que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir. Desse tal me gloriarei, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. Pois, se quiser gloriar-me, não serei insensato, porque direi a verdade; E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte”.
O apóstolo Paulo, pediu três vezes. Em outras palavras, ele insistiu em algo que já havia pedido anteriormente, mas devido a sua aflição ele orou novamente. Ao fazer esta declaração ele parece demonstrar que estava abrindo uma exceção. Mas, não o vejo fazendo determinações, rejeições ou outra atitude semelhante, pelo contrário, ele busca como se beneficiar de tal situação adversa. É preciso ter firme a convicção que as promessas do Senhor não falham. Recordo me agora de um hino bastante antigo que cantava quando criança: “De Deus mui firmes são as promessas, falhando tudo não falhará. Se das estrelas o brilho cessa,mas as promessas brilharão”. O Senhor vela pela sua palavra para a cumprir. Que maravilha! No tempo certo Deus cumprirá suas promessas. O que tal vez não conseguimos entender é que o tempo de Deus não é o mesmo nosso. Nós estamos acostumados a automatização, ao self-service. Queremos tudo imediatamente. Não entanto Deus tem o seu tempo. Vemos o pregador de hebreus fazer uma bela declaração sobre a fé que espera a qual devemos ter. Hb 11 diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho... (v.4) Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício que Caim ... (v.5) Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte... (v.6) Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. (v.7) Pela fé Noé... preparou uma arca para o salvamento da sua família; (8) Pela fé Abraão... saiu, sem saber para onde ia... peregrinou na terra da promessa... (10) porque esperava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus... (v.13) Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe
(E DEUS FOI INJUSTO COM ELES?), confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. (v.14) Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. (15) E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. (16) Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade. (17) Pela fé Abraão, sendo provado, ofereceu Isaque; sim, ia oferecendo o seu unigênito aquele que recebera as promessas... (20) Pela fé Isaque abençoou Jacó e a Esaú, no tocante às coisas futuras. (21) Pela fé Jacó... abençoou cada um dos filhos de José... (22) Pela fé José... fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos. (23-27) Pela fé Moisés...ficou firme, como quem vê aquele que é invisível... (32) E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas; (33) os quais por meio da fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, (34) apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros. (35) As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; (36) e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. (37) Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados (QUANTAS ADVERSIDADES!!!)... (39) E todos estes... contudo não alcançaram a promessa; (40) visto que Deus provera alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados. [12.1-29] Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus... Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado... pois o Senhor... açoita a todo o que recebe por filho. É para disciplina que sofreis... [13.1-8] porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei”.
Poderia citar inúmeras outras referências onde aqueles que
servem mesmo sendo fiéis a ele passaram por adversidades, mas contudo mantiveram firme a sua esperança nas promessas do Senhor.
DEUS NÃO DEVE NADA A NINGUÉM! Disse acertadamente o vice-presidente. Ora, nós que somos devedores dele. Rm 5.8 diz “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. Diz ainda Cl 2.14 “e havendo riscado o escrito de dívida que havia [contra] nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz”, então que méritos teríamos nós para cobrarmos alguma coisa de Deus? Se somos abençoados, o somos pela bondade e misericórdia. Dn 9.18 “Inclina, ó Deus meu, os teus ouvidos, e ouve; abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, e para a cidade que é chamada pelo teu nome; pois não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias”.
DE DEUS NÃO VEM MAL ALGUM! Esta outra afirmação também é coerentemente bíblica. Tg 1.13 diz “Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta”.
Quando intitulei este meu comentário de A TEOLOGIA DO VICE-PRESIDENTE, não estou afirmando com isto que ele seja um teólogo, e que tenha uma boa teologia, mas nestes dois pontos citados por ele. Por entender que teologia é aquilo que pensamos à respeito de Deus, à partir de um conhecimento prévio das Escrituras e das coisas lhe concernem, posso dizer que todo mundo tem sua teologia, que podem ser boa ou deficiente. Conforme já havia dito, me admirei (e alegrei) muito com as afirmativas sensatas do Sr. José de Alencar.
(DEUS) SALVE O VICE-PRESIDENTE!