sábado, 31 de janeiro de 2009

APASCENTANDO OVELHAS ou ENTRETENDO BODES

Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.
Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!
Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!” Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!” Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: “Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.

Charles H. Spurgeon

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

COMPLETEI 40 ANOS - isto é significativo!!!

Acordei, hoje, pela manhã de modo diferente dos demais dias. No geral acordo com aquele alarme insuportável do aparelho celular, que substitui o famoso “triimmm” dos obsoletos despertadores.
Um abraço amável e palavras de felicitações pelo dia de hoje, foi o modo com que minha adorável esposa arranjou para não tornar o meu despertar diurno aquele suplício de ‘sonequinhas’ e mais ‘sonequinhas’... Subitamente ela me fez recordar que hoje completo 40 anos de vida. E como diz Rubem Alves – quando lhe perguntam quantos anos tem, lembra que não sabe quantos anos terá, porque não os têm, mas sabe quanto anos viveu – percebi então que entrei para os “enta”, que as pessoas dizem com certo assombro não sair mais de lá.
Em seguida, ela me serviu ainda na cama um café delicioso - quem sabe, para me lembrar o quanto é saboroso viver. O meu dia enfim começou! Ainda pela manhã recebi um inesperado telefone de um dos pastores de minha igreja, de nome desconhecido por mim, mas que em rápidas palavras me desejou muitas felicidades e uma meditação bíblica. Confesso que não esperava tal telefonema, até porque ainda não o havia recebido, exceto aqueles daqueles cartões (bonitos, mas ‘frios’, impessoais) que nos enviam todos os anos.
Depois parei fazer as minhas meditações diárias. E o tema que me veio a cabeça foi: ESTOU COMPLETANDO 40 ANOS! Me dei conta que estava completando exatos 40 anos de vida, e como diria meu velho e amável tio Josias - ISTO É SIGNIFICATIVO!
40 anos!!!
De fato é bastante significativo. O número quarenta ocorre muitas vezes na Bíblia.
Recordei alguns:
- no dilúvio choveu quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.4).
- quarenta seria um dos números de possíveis justos pelos quais Sodoma e Gomorra poderia ser poupada pelo clamor do justo Abraão (Gn 18.29).
- Isaque tinha quarenta anos quando casou com a bela Rebeca (Gn 25.20).
- Esaú também casou aos quarenta anos com a desconhecida Judite (Gn 26.34).
- aos quarenta anos, Moisés descobriu a sua chamada para libertar os hebreus das mãos dos egípcios (At 7.23).
- Israel comeu do maná (provisão divina!) por quarenta anos no deserto (Ex 16.35, Dt 2.7), mesmo assim murmurou contra Javé – Senhor não me deixe cometer o mesmo erro!
- quarenta dias e quarenta noites Moisés passou no monte do Senhor (Ex 24.18).
- Oséias, que é mais conhecido como Josué (nome dado por Moisés) e outros espias, passaram quarenta dias (espiando) contemplando de longe a terra a ser conquistada (Nm 13.25).
A lista é enorme!
- Davi e Salomão reinaram quarenta anos, (II Sm 5.4 e 1 Rs 11.42).
- um anjo do Senhor deu a Elias comida e bebida que o saciou por quarenta dias em sua caminhada ao Horebe (1 Rs 19.8) – hoje temos o Pão da Vida que nos sacia em nossa caminhada (Jo 6.35).
- O grande Mestre foi levado ao deserto para ser tentado por quarentas dias (Mt 4.2) mas, o evangelista Marcos lembra que mesmo neste dias sombrios, os anjos o serviam (Mc 1.13) – que bom é ter o cuidado do Senhor!
- após a sua ressurreição, o Senhor Jesus apareceu aos seus discípulos fujões por mais quarenta dias (At 1.3) recordando-lhes e fazendo-os entender o que lhes havia ensinado.
E a lista continua.
A lembrança das ocorrências desse número tão presente nas Escrituras me fez pensar, que este número é significativo, mas que mais significativo ainda tem sido o cuidado de Deus para comigo nesses quarentas anos.
De repente, me dei conta que um terço desses anos, tenho tido a companhia de minha adorável esposa - cujos olhos vibrantes e os cabelos pretos nunca mais saiu de minha cabeça depois que ela entrou em uma das muitas salas de aula a que estive como professor. Aliás, metade desses anos foi dedicado ao ensino. Espero pode completar outros mais!
Enfim quarenta anos não significa pra mim nem o princípio, nem o fim, mas um momento do qual tenho sentido de perto, a presença do Senhor constante em minha vida.
Sei que ainda não sou o que poderia ser. Ser servo melhor, para não pego de surpresa pelo “Dono da Obra”. Dei conta também, que preciso ser um esposo melhor. Um profissional melhor. Um amigo melhor. Um irmão melhor. Aja e haja 40 anos!!!
por Neemias de Oliveira

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ESTUDAR TEOLOGIA NÃO DESVIA NINGUÉM: é possível pensar a fé sem perder a esperança!


Se há um mito no meio evangélico, que precisa ser visto com atenção, é o de que o estudante de teologia acaba se esfriando na fé, chegando até mesmo a negá-la. Como estudante de teologia, por várias vezes já fui abordado por irmãos que solenemente advertem: “cuidado com a teologia, esse negócio de estudar muito pode te esfriar na fé. Já vi muitas pessoas na igreja que eram uma benção, mas agora depois de começar a estudar teologia acabaram fracassando na fé”. Nas maioria das vezes, engulo seco, e penso comigo mesmo que isto não passa de um ledo engano.
Desde quando me entendo por gente, e passei a ouvir tais afirmações, me sobrevieram alguns questionamentos: como pode alguém ao estudar a Bíblia com mais profundidade se desviar da fé? Ora, as próprias Escrituras dizem que “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Cristo” (Rm 10.17). Então como pode alguém, que lê, estuda ou medita na Palavra de Deus se esvanecer da fé? Se até mesmo ao longo do texto bíblico há várias recomendações para que se leia cuidadosamente as Escrituras, se medite nela de dia e de noite. Aliás, o que assim faz é chamado “bem-aventurado” Sl 1.1,2.
Daí, creio que a conclusão de que estudar teologia faz desviar alguém da fé seja precipitada. Tal afirmação, creio eu, se dá com a observação do comportamento de alguns estudantes de teologia. Pois alguns destes, durante o curso ou mesmo depois de formados, acabam tendo algum tipo de comportamento, às vezes, reprováveis diante de sua comunidade de fé. Outros, por causa das muitas horas dedicadas aos estudos acabam negligenciando as atividades em sua comunidade eclesiástica, das quais se dedicavam com certo afinco antes de começar seus estudos. Ainda outros, por sua vez, já não aceitam mais os ensinamentos de seus líderes e chegam até mesmo a questionar autoridade de seu pastor. E, por último, acabam a abandonando a igreja, e até mesmo a fé.
Outro fator que pode levar alguns àquela conclusão equivocada, talvez seja o fato de que alguns líderes inescrupulosos acabam por espalhar tal assertiva de forma irresponsável. Tais líderes, talvez, o façam ao se verem ameaçados pelo fato de que algum liderado seu está se aprimorando em seus conhecimentos teológicos, e possa com isso ganhar uma maior simpatia em seu reduto.
Então, como se portar diante destas constatações? Será a “teologia” a culpada, ou o estudante desavisado? Ante esses questionamentos seria válido algumas observações:
Primeiro - é evidente que nenhuma escola, seminário ou faculdade de teologia tenha por objetivo, afastar seus estudantes da fé. Pelo contrário, este se propõe a ajudá-los a pensar a sua fé, e também fazerem com esta fé se torne ativa e producente. Seria um contra-senso um curso teológico, que na maioria das vezes é realizado nas próprias dependências das igrejas, ir contra os seus princípios, visto serem estes fundamentados nas escrituras.
Segundo - tudo indica, que tais estudantes de teologia que se "esfriam” na fé, certamente o fariam em qualquer momento de sua vida cristã, mais cedo ou mais tarde. Lamentavelmente, a sua escola, faculdade ou seminário teológico, não teve como ajudá-lo em sua crise espiritual. É por isso que boa parte dos cursos teológicos exige que seus alunos estejam ligados a alguma igreja, e seja participante ativos das atividades eclesiásticas.
Terceiro - Seria uma incongruência, se algum curso teológico se desse ao papel de desconstruir a fé de seus docentes. É bem verdade que às vezes, se estuda o pensamento de alguns teólogos liberais, e isto pode levar a conclusões precipitadas e adversas sobre as escrituras e sua autoridade. No entanto, por mais liberal que um teólogo possa ser, ainda assim há relampejo de fé, do qual qualquer estudante de teologia que se preza deveria se apegar.
Quarto - É contraditório, o fato de que o estudo de uma teologia pautada nas escrituras resulte na diminuição da fé ou até a negação da mesma. Ora, se a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, quanto mais o estudo pormenorizado da mesma. E quando se tem compromisso com Deus, o estudo de sua Palavra se torna satisfatório e alimenta a fé.

Noutras postagens, continuarei com este assunto.
por Neemias de Oliveira
Este blogg propõe a discussão deste e de outros temas.